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IX ENANCIB - Relatório Final GT6

by Joana Coeli last modified 2009-10-21 11:19

IX ENANCIB – ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

GT 6 – INFORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E TRABALHO


Coordenadora: Helena Maria Tarchi Crivellari (PPGCI/UFMG)


RELATÓRIO FINAL

Participaram , no GT-6, como avaliadores dos trabalhos: Francisco das Chagas de Souza (UFSC), Manuel Valente Mangue (Universidade Eduardo Mondane/Moçambique), Miriam Vieira da Cunha (UFSC), Paulo de Martino Jannuzzi (ENCE/IBGE e PUC-CAMP), Sofia Galvão Baptista (UNB) e Vera Sílvia Marão Beraquet (PUC-CAMP).

Foram submetidos ao GT um total de 24 trabalhos. Considerando aqueles que foram recusados e os que não retornaram após sugestão de modificações ao texto, chegou-se a 18 trabalhos aprovados, sendo 14 comunicações orais e 4 pôsteres. À exceção de um, todos os demais trabalhos apresentaram-se, durante as três seções do GT, inclusive os pôsteres que dispuseram de tempo menor (10 minutos) do que as comunicações orais (20 minutos).

O GT manteve freqüência regular contando, em média, com 17 presentes em cada sessão. Os trabalhos originam-se de vários programas: USP, UNESP, Santa Catarina, RGS, Minas Gerais, Brasília, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Amazonas, demonstrando que o tema é de interesse da maioria dos programas, o que também se evidencia pela presença, entre os autores, de vários coordenadores de Programas. Os estados mais presentes foram Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina.



Relato sobre as sessões

29 de Setembro de 2008 - 10:00h às 13:00h

Debatedora: Miriam Vieira da Cunha
Relatora: Helena Maria Tarchi Crivellari (em substituição a Vera Beraquet, que comunicou, à véspera, sua impossibilidade de comparecimento)

Esta sessão procurou reunir trabalhos que focalizassem a atuação dos profissionais da informação e afins, em diversos campos de atuação ou como alvos de diferentes abordagens analíticas. Cada um dos trabalhos foi apresentado em cerca de 20 minutos e, em seguida, submetido a debate.

O primeiro trabalho apresentado, Competências do profissional bibliotecário brasileiro: o olhar do Sistema CFB/CRBs, de Célia Regina Simonetti Barbalho (UFAM) e Helen Beatriz Frota Rozados (UFRGS), discute a importância de se mapear as competências informacionais exigidas aos bibliotecários. O estudo foi realizado através do projeto do Censo Bibliotecário, tendo em vista a definição do perfil do profissional da informação bibliotecário e as ações do Sistema CFB/CRBs.

Em seguida, Magali Lippert da Silva e Valdir José Morigi (URGS) apresentaram as Representações das práticas e da identidade profissional dos bibliotecários no mundo contemporâneo, estudo fortemente baseado em Pierre Bourdieu, particularmente na noção de habitus. O trabalho analisa as representações sociais dos dirigentes da classe profissional bibliotecária, no Brasil contemporâneo. Os autores concluem percebendo o processo de formação de uma identidade voltada à realidade atual, o que decorre, principalmente, da atualização e inovações curriculares realizadas pelas faculdades e escolas de Biblioteconomia.

O terceiro trabalho discorre sobre a Atuação profissional de egressos do curso de biblioteconomia da UNESP/Marília, é da autoria de Ely Francina Tannuri de Oliveira, Marta Lígia Pomim Valentim, José Carlos Abbud Gracio e Cristiane Luiza Salazar Garcia (UNESP/Marília). Os autores apresentam os resultados de pesquisa realizada junto a 157 profissionais formados pelo Curso de Biblioteconomia da UNESP/Marília, de um total de 526 egressos. A pesquisa objetivava avaliar a situação dos bibliotecários formados pelo Curso, nos seus 30 anos de existência, visando levantar aspectos relevantes e propor ações pedagógicas capazes de redirecionar e/ou aprimorar o Projeto Político-Pedagógico do Curso (PPC).

A quarta apresentação retrata o Perfil dos bibliotecários das bibliotecas de instituições de ensino superior privadas do Distrito Federal e as expectativas dos empregadores, de Graziele Noronha Campos e Sofia Galvão Baptista (UNB). A pesquisa de caráter descritivo, focalizou bibliotecários e empregadores, aplicando instrumentos de coleta de dados específicos para cada grupo. Os resultados mostraram discordância entre a visão do empregador e a do bibliotecário em relação a questões tais como iniciativa, educação continuada e outras características. Mostra, também, que as tarefas exercidas pelos bibliotecários são as tradicionais: aquisição, processamento e disseminação e , ainda, que os salários são baixos e há rotatividade de profissionais. Estes dados são importantes para que a área possa preparar quadros de acordo com o comportamento do mercado de trabalho.

O último trabalho desta sessão intitula-se Profissionais de Sistemas de Informação: descrição da profissão e notas sobre as dificuldades de uma análise comparativa com os Profissionais da Informação, de Josmária L. Ribeiro de Oliveira (UFMG/Puc-Minas) O estudo revela que, na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, não constam famílias ocupacionais específicas para profissionais graduados nos cursos de Sistemas de Informação. A pesquisa mostra a opinião de pensadores do campo de Sistemas de Informação quanto à regulamentação para a atuação dos diplomados na área, que é incipiente. Neste sentido, também a atuação dos sindicatos, em Belo Horizonte, apresenta muitas limitações. Como resultado da pouca articulação coletiva da categoria, a autora identificou distorções no processo de remuneração do grupo e foram apresentadas sugestões para melhorias destas condições.



29 de Setembro de 2008 - 15:00h às 19:00h

Debatedora: Helena Maria Tarchi Crivellari
Relator: Manuel Valente Mangue

Esta sessão procurou concentrar os trabalhos que discutissem questões relacionadas à formação e currículo, mas incorporou também alguns sobre atuação profissional, que é um tema historicamente forte no GT-6. As atividades foram iniciadas com o anúncio de nova modalidade a ser adotada durante as apresentações, que foram divididas em três blocos, contendo o primeiro três trabalhos; após o intervalo, o segundo, com duas apresentações e, finalmente, houve a apresentação de três pôsteres. Ao final de cada bloco, foram abertas as discussões. A concentração dos trabalhos, durante esta sessão, deveu-se à concessão de tempo para que os membros do GT pudessem participar da reunião da ABECIN, prevista para o dia seguinte.

O primeiro trabalho apresentado foi sobre a Distribuição dos recursos de informação em pós-graduação: o caso da Ciência da Informação no Nordeste do Brasil, de Marcos Galindo (UFPE) e Carlos Xavier de Azevedo Netto (UFPB), fazendo uma análise específica do processo de fomento à pesquisa e de avaliação da CAPES, cujos dados referentes à CI mostram que apenas 14% dos cursos estão no nordeste quando, no país, cerca de 22% dos profissionais atuantes na área encontram-se naquela região. O trabalho mostra, além do diagnóstico, a necessidade de que sejam elaboradas estratégias com vistas a um “tratamento desigual para os desiguais”.

O Ensino da Biblioteconomia no Brasil e os aspectos da sua dimensão curricular: um exame dos “ditos” e “não-ditos” foi apresentado por Francisco das Chagas de Souza (UFSC), que faz uma análise a partir dos documentos da ABEBD, com interesse para as questões do currículo, corpo docente e discente em relação ao mercado de trabalho. Após a apresentação dos pressupostos iniciais presentes nos documentos da ABEBD, o trabalho conclui que o documento “peca” quanto aos “não ditos” em relação ao mercado de trabalho, por exemplo, e por demonstrar um distanciamento ético (que se quer refletido nos juramentos, porém substituído pelo pressuposto utilitarista), mostrando que há espaço na escola para acomodar o debate mais amplo de inserção social e ética do bibliotecário.

Pesquisar o ensinar: uma proposta de avaliação da ação didático-pedagógica em Biblioteconomia e Documentação da Universidade de São Paulo é o título do trabalho de Asa Fujino e Vânia Mara Alves de Lima (USP). Apresentado o contexto, isto é, que o trabalho está inserido no Programa de Graduação da USP, as autoras procuram analisar a articulação entre o ensino na graduação e a pesquisa, mostrando as lacunas/problemas existentes. Por exemplo, o aluno tem o domínio das ferramentas de busca, mas isso não é, em si, pesquisa; tem aula de metodologia, mas ainda sem método. Daí os enfoques: pesquisar o ensinar e ensinar o pesquisar.

Às 17:15h, após o intervalo previsto para o café, foi apresentado o trabalho intitulado O Museólogo como profissional da informação em Santa Catarina, de Hermes José Graipel Junior e Miriam Vieira da Cunha (UFSC), que procura identificar e analisar o perfil dos que atuam na área de museus. Após exposição de caráter conceitual e histórico sobre o museu e sua origem, seguida da descrição dos métodos de pesquisa adotados para o estudo realizado, foram mostrados os principais resultados alcançados: em geral, nos museus pesquisados, os que lá atuam, não têm formação específica; os museus históricos são a maioria, seguidos pelos municipais; sobre a formação continuada, 60% fez algum tipo de curso de especialização. O trabalho conclui afirmando a necessidade de um profissional mais crítico e que interaja com a comunidade.

Em seguida, foram apresentados os Novos caminhos para o profissional da informação bibliotecário: competências, habilidades e a MBE, de autoria de Kátia Carvalho e Maria da Graça Gomes de Almeida (UFBa). Trata-se de um trabalho exploratório sobre a Medicina Baseada em Evidências – MBE, assentado nos seguintes pressupostos: organização da informação e aprendizagem; equipe multidisciplinar; uso da informação para tomada de decisão; o trabalho do PI deve se realizar em parceria com o médico; exigência de competências e habilidades específicas; a formação continuada tem um papel fundamental neste contexto.

Após o debate, foram apresentados três pôsteres, dispondo cada um de 10 minutos. Foram eles: Produção do conhecimento e demandas sociais da Biblioteconomia no Maranhão, de Mary Ferreira, Cenidalva M. Teixeira, Cláudia Pecegueiro e Maria Cléa Nunes (UFMA); Competência informacional de formandos em Sistemas de Informação, de Eliane C. F. Rocha (Puc-Minas) e Auto-imagem do bibliotecário na Sociedade da Informação, de Alda Lima da Silva e Henriete Ferreira Gomes (UFBa). Em seguida, foram abertos os debates e, logo após, encerrou-se a sessão.



30 de Setembro de 2008 10:00h às 13:00h

Debatedor: Francisco das Chagas de Souza
Relatora: Sofia Galvão Baptista

A terceira e última sessão reuniu temas diversos, prevalecendo os ligados à formação, seguido pela temática da atuação profissional. Vale constar que, nas apresentações de trabalho desta manhã, ocorreu a ausência (única durante os dois dias do evento) de Fabrício J. N. Silveira e Alcenir S. Reis, ambos da UFMG, autores do trabalho intitulado Biblioteca como lugar de práticas culturais: uma discussão a partir dos currículos de Biblioteconomia no Brasil. Deve-se, ainda, salientar que, do ponto de vista metodológico, nesta sessão os trabalhos foram discutidos após cada uma das apresentações.

Os trabalhos foram iniciados, sob a coordenação do debatedor, com a apresentação do pôster intitulado Currículos dos cursos de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação no contexto da inclusão social, de autoria de Silvio Santos (UFBa), debatido em seguida.

O segundo trabalho apresentado foi A formação contínua do profissional da informação: princípios epistemológicos à competência informacional, de Elizete Vieira Vitorino (UFSC), que discute a noção de Competência Informacional. O trabalho foi discutido após a apresentação, gerando muitos debates conceituais sobre o tema central.

Em seguida, houve a apresentação do trabalho intitulado Perfil da comunidade acadêmica da Escola de Ciência da Informação da UFMG: relações de poder e hierarquias, de Joana Ziller e Tatiana Lucia Cardoso, ambas da UFMG. O trabalho focalizou o retrato social dos alunos e professores da ECI/UFMG, a partir de levantamento efetivado pela reitoria da mesma universidade, discutindo a presença das “minorias”: negros e mulheres, o prestígio relativo do curso e os desdobramentos no âmbito da universidade. O tema, por ser polêmico, gerou muitos debates no GT.

As apresentações do GT-6 encerraram-se com o trabalho intitulado Uma análise do uso da tecnologia por bibliotecários sob o enfoque da alfabetização informacional, de Iole Terso (Mestranda da UFBA) e Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva (Doutor em Ciência da Informação - UFRJ-ECO/IBICT-DEP). As discussões sobre este trabalho foram orientadas pela proposta metodológica do estudo, baseado na dialética.

Todos os trabalhos apresentados suscitaram intensos debates, envolvendo a participação de grande parte dos presentes.

Observação: durante a tarde do dia 30/09, os membros do GT-6 avaliaram o funcionamento do GT, gerando muitas das informações contidas neste relatório.


Temas que mais se destacaram
Neste ano, o tema de maior destaque foi a “formação profissional”. Destacaram-se, também, as comparações entre profissões assemelhadas, neste caso, bibliotecários, museólogos e diplomados em sistemas de informação. Destacaram-se, ainda, as reflexões sobre Competência Informacional. Quanto às metodologias, observa-se a forte freqüência de surveys, análise de bases de dados, análise de documentos e, em ao menos um trabalho, a auto-definição de uso do método dialético.


Escolha dos melhores trabalhos
Discutidos quais seriam os critérios utilizados para a indicação dos melhores trabalhos do GT 6, ficou acordado que: 1) só seriam indicados os trabalhos efetivamente apresentados; 2) a decisão seria compartilhada entre a Coordenadora do GT e os avaliadores, relatores e debatedores do GT-6; 3) na pontuação dos trabalhos, seriam considerados: 50% pela parte escrita e 50% pelo desempenho durante a apresentação, principalmente se despertou discussões.

Com base nestes critérios foram escolhidos, como melhores, os trabalhos de Magali Lippert da Silva e Valdir José Morigi, seguido pelo trabalho de Francisco das Chagas de Souza.


Reeleição da Coordenadora do GT6
Permanece na coordenação do GT, em 2009, Helena Maria Tarchi Crivellari, professora do PPGCI/UFMG.



Revisão da ementa
O grupo decidiu que a ementa do GT-6 deve ser revista, o que será objeto de discussão em rede, durante os primeiros meses de 2009.


Pontos fortes do GT-6, apontados pelos seus membros
• Aumento do número de trabalhos submetidos;
• Aumento da qualidade dos trabalhos;
• Aumento da qualidade das discussões;
• Diversificação de temas abordados;
• Diversificação de autores;
• Ocorrência de trabalhos comparativos entre profissões da informação;
• Aparecimento de novo tema “Competência informacional”;
• Valorização dos pôsteres;
• Presença constante da maioria dos membros do grupo em todas as seções;
• Infra-estrutura do SENAC e apoio da Coordenação do ENANCIB;
• Tendência à maturação de alguns temas de pesquisa, destacando-se a questão da “formação profissional”;
• Influência do grande tema do evento na motivação de submissão de trabalhos;
• Apoio da monitora de sala Mônica de Fátima Loureiro.


Destaque do GT-6
Merece especial destaque a premiação de melhor tese de 2008 atribuída a Manuel Valente Mangue, membro do GT-6 na qualidade de avaliador e relator.